22/9/2008
Espelho, espelho meu, existe algum candidato melhor do que eu?
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Eliana Sforza
Em tempos de Big Brother ou de privacidade praticamente zero, essa é a pergunta que os candidatos aos cargos políticos disponíveis nessa eleição deveriam se fazer.

Foi-se o tempo em que fenômenos salvadores da pátria, sem passado ou histórico político, apareciam do nada com um kit de promessas fantásticas eram eleitos pelo povo brasileiro, que não utilizava critérios de escolha lá muito seletivos e comprometidos com o controle do cumprimento de tais promessas eleitoreiras. Bastava uma campanha de marketing político rica, criativa e bem elaborada, que encantasse o público eleitor e bingo! A eleição estava ganha!

O fenômeno salvador da pátria apresentado nas duas últimas eleições acabou se tornando um marco inicial da mudança cultural em relação à valorização do voto, que começa a dar sinais no perfil do eleitor brasileiro. Após as eleições de 2002 quando o povo brasileiro, mobilizado por uma belíssima campanha de marketing político, deu um voto de confiança ao governo petista com a esperança de que se operasse no Brasil grandes mudanças econômicas, éticas, sociais e gerenciais, o eleitor brasileiro passa a definir melhor seus critérios de escolha dos tantos candidatos que se apresentam para disputar uma eleição.

Não tenho a menor pretensão de discutir aqui o mérito da eleição de 2002 e reeleição de 2006 do presidente da república, apenas registrar que esse governo, juntamente com outros atores relevantes como o TRE, teve uma parcela considerável de responsabilidade em provocar um novo olhar para a consciência do voto como moeda de mudança no processo eleitoral brasileiro.

Hoje boa parte dos eleitores já dão mostras de maior preocupação e responsabilidade com as eleições, pesquisas eleitorais apontam para critérios mais seletivos de voto, que nada se parecem com aqueles plantados por uma campanha de marketing visualmente competente, porém sem alicerces históricos de competência dos candidatos. O marketing político, assim como os resultados apontados pelas pesquisas eleitorais são ferramentas muito importantes durante as campanhas eleitorais. As duas ferramentas juntas monitoram as expectativas do público eleitor e ajustam as plataformas propostas para a gestão dos mandatos, porém, não são eficazes o suficiente para eleger candidatos que não disponibilizam ao público eleitor provas de habilidade e competência para gerir seus mandatos, estas também não têm mais o ônus da culpa quando algo não sai bem de acordo com o esperado pelos candidatos e seus partidos políticos. O histórico político do candidato ou daqueles com os quais ele faz suas alianças, é uma das variáveis mais relevantes para o sucesso da sua campanha eleitoral, como foi comentado no início do artigo, em tempos de Big Brother, nada mais escapa ao conhecimento do eleitor tanto para o bem quanto para o mal.

A mudança cultural que começa a se manifestar no processo eleitoral em relação a escolha dos representantes do povo brasileiro nas esferas políticas, embora ainda tímida, talvez tenha sido o maior ganho que o país teve nos últimos anos, o crescimento da consciência política e da responsabilidade de fazer do voto um instrumento de corresponsabilidade nos sucessos e insucessos da gestão governamental do nosso país.

Então candidatos, quando as notícias não são boas não adianta querer matar o carteiro. Saibam que os resultados que aparecerão nas urnas irão retratar o histórico de suas carreiras políticas, profissionais e até pessoais, portanto a resposta para a pergunta: (Espelho, espelho meu existe algum candidato melhor do que eu?) estará plantada no reflexo do espelho.

Eliana Sforza
Consultora de Marketing
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